Agenda climática e negócios: as lições de 2025 e os desafios de 2026 para o Comércio e os Serviços

Com menos consenso global e mais ação local, empresas ganham papel central na transição sustentável

José Goldemberg
09/Jan/2026
Físico e presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP
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Agenda climática e negócios: as lições de 2025 e os desafios de 2026 para o Comércio e os Serviços

* Com Cristiane Cortez, assessora do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP

No início de 2025, o debate climático esteve cercado de grandes expectativas. O Brasil se preparava para sediar a COP30, em Belém, em um contexto de crescente urgência diante do avanço das mudanças climáticas. Havia a percepção de que o País poderia exercer protagonismo internacional, especialmente nos temas relacionados a financiamento climático, transição energética, mercado de carbono e combate ao desmatamento.

Ao longo do ano, contudo, o balanço que se consolida é mais complexo. O evento trouxe avanços relevantes, sobretudo no fortalecimento da agenda de adaptação, na valorização do papel de Estados, municípios e outros agentes subnacionais e na ampliação do debate sobre soluções baseadas na natureza. Ao mesmo tempo, ficou evidente a dificuldade de avançar em compromissos globais mais ambiciosos para a redução do uso de combustíveis fósseis, em razão das limitações do modelo multilateral baseado no consenso.

O ano passado nos mostrou que, embora indispensáveis, os grandes fóruns internacionais não são suficientes, por si só, para responder à urgência climática. Além disso, ganhou força a compreensão de que a ação climática precisa combinar esforços mundiais com iniciativas paralelas, regionais e setoriais, capazes de avançar mesmo diante de impasses geopolíticos. A transição para uma economia de baixo carbono passou a ser vista menos como um objetivo distante e mais como um processo contínuo, que exige decisões práticas e graduais.

Consolidou-se, ainda, a percepção de que as conferências climáticas vêm se afastando, ao longo do tempo, de um papel mais regulador e mandatório, assumindo funções relevantes de diálogo, educação e articulação, mas com limitada capacidade de induzir mudanças estruturais na velocidade necessária. Frente ao agravamento dos impactos climáticos, a questão central passa a ser recuperar instrumentos capazes de promover uma transição energética realista, com previsibilidade regulatória e viabilidade econômica.

Nesse cenário, 2026 surge como um ano-chave para transformar aprendizados em implementação. A agenda climática tende a avançar menos por grandes consensos pelo planeta e mais por ações concretas lideradas por países, regiões, cidades e setores produtivos. A prioridade deverá recair sobre resultados mensuráveis, como a redução efetiva do desmatamento, a consolidação de mercados de carbono, o estímulo à economia circular e o fortalecimento de instrumentos econômicos que conciliem competitividade e sustentabilidade.

É nesse contexto que a Agenda Verde da FecomercioSP assume papel estratégico. Ao apontar metas como o avanço da economia circular, o desmatamento zero, a eficiência energética e a integração da sustentabilidade às estratégias empresariais, a Entidade reforça a contribuição dos setores do Comércio e dos Serviços para a transição para uma economia de baixo carbono. A Agenda Verde sinaliza que crescimento econômico e responsabilidade ambiental não são agendas opostas, mas complementares.

O balanço de 2025 indica que o tempo das expectativas deu lugar ao tempo da ação. Para este ano, o desafio será acelerar soluções práticas, fortalecer a cooperação entre Poder Público e setor privado e transformar sustentabilidade em vetor de competitividade. O êxito da agenda climática dependerá, cada vez mais, da capacidade de empresas e instituições de transformar compromissos em resultados concretos.

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IMAGEM: Freepik

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