Café com o vice: Alckmin diz que lista de exceções foi negociada com americanos
O vice-presidente participou do programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga, onde falou também que importadores norte-americanos devem questionar o 'tarifaço' na Justiça dos Estados Unidos

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, participou nesta quinta-feira, 31/07, do programa da Ana Maria Braga, na TV Globo, onde afirmou que a lista de mais de 700 exceções à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros é resultado de "longa conversa com membros do governo dos Estados Unidos."
A participação no programa popular Mais Você ocorre um dia após a oficialização do tarifaço a produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. Alckmin afirmou ainda que o governo Lula continua com as negociações e a intenção é aumentar o comércio com o país.
"Negociações começam hoje", disse. "Nós não criamos o problema, mas queremos resolver", afirmou o vice-presidente, destacando que um contato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente dos EUA, Donald Trump, precisa de uma preparação. "Vamos trabalhar para preservar empregos, produções e para avançar em mercados", afirmou.
O vice-presidente explicou ainda que 35,9% do total de exportações para os EUA serão afetadas com a nova tarifa. Disse também que cerca de 45% dos embarques ficaram de fora da taxação e, para aproximadamente 20%, não houve alteração, pois eram produtos como aço e alumínio, com tributação separada.
Justiça dos EUA - Alckmin ressaltou que a decisão de taxar em 50% parte dos produtos brasileiros está sendo questionada no Judiciário norte-americano por empresas naquele país.
A judicialização, por parte de companhias norte-americanas, pode ser uma das frentes para reverter a tarifa proibitiva contra produtos brasileiros - motivada por fatores políticos, incluindo articulação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos EUA.
O vice-presidente também comentou no programa de Ana Maria Braga sobre o cenário macroeconômico no Brasil, com tendência de queda na inflação dos alimentos e a necessidade de "atenção" à cotação do dólar. Ele declarou, contudo, ser difícil cravar o impacto da tarifa de 50% nos preços de produtos agrícolas, incluindo alimentos.
IMAGEM: reprodução/Rede Globo

