Comércios na Grande SP estão há 48 horas sem energia; prejuízo chega a R$ 77,55 milhões, diz ACSP
O vendaval de quarta-feira derrubou árvores em diversas regiões da capital paulista, como esta na Praça da Árvore, Zona Sul da cidade, que interrompeu o abastecimento de energia no local

Dois dias após o vendaval que atingiu a Grande São Paulo na última quarta-feira (10), com ventos de até 98 km/h, diversos estabelecimentos seguem sem energia elétrica. Segundo novas estimativas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o comércio pode ter deixado de faturar R$ 77,55 milhões no período.
Além dos estabelecimentos afetados, o vendaval, causado por um ciclone extratropical, deixou cerca de 2,2 milhões de residências sem luz em 24 municípios da Grande São Paulo. Nesta sexta-feira, 12/12, cerca de 800 mil residências permaneciam nessa situação. Mais de mil árvores caíram devido aos ventos e diversos voos foram cancelados. Em Juquitiba, cerca de 39% do município permaneciam sem luz na manhã desta sexta; já em Embu das Artes, o fornecimento seguia interrompido em aproximadamente 26% da cidade.
De acordo com Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, ainda não é possível mensurar com precisão os prejuízos, pois os efeitos do ciclone não foram homogêneos na capital e muitos estabelecimentos ainda não tiveram o serviço de energia restabelecido. Segundo ele, a falta de energia impacta principalmente o consumo por impulso, além de afetar fortemente restaurantes que dependem de armazenamento adequado de alimentos.
Na Vila Saúde, bairro da Zona Sul da capital paulista, Paulo Maier, proprietário do escritório de arquitetura e construção Estúdio Maier, está há 48 horas sem energia elétrica. Por conta da situação, o estúdio permanece fechado e alguns funcionários com energia em casa estão trabalhando em home office. Sem números consolidados, Maier afirma que o prejuízo será grande, já que o escritório trabalha com prazos para projetos, legalizações e regulamentações de construções, que não podem ser cumpridos devido à falta de energia. “A Enel já passou diversos prazos para o retorno da energia, mas nenhum foi cumprido”, diz.
O restaurante Quintal da Casemiro, na Praça da Árvore, também na Zona Sul de São Paulo, está sem energia desde quarta-feira. Com freezer e geladeira lotados, estão usando sacos de gelo para manter os alimentos resfriados. A proprietária Márcia Midori porém, afirma que, caso a luz não volte até o final desta sexta-feira, todos os alimentos serão perdidos.
Desde o início da interrupção, o estabelecimento está fechado, sem conseguir atender clientes por delivery, por falta de internet, e nem no salão. Segundo Márcia, o prejuízo estimado é de cerca de R$ 10 mil.
Tansyn Arthur, supervisora da Debrum Modas, enfrenta situação semelhante. Sem luz desde o vendaval, uma das unidades da loja, localizada na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, está funcionando apenas com luz de emergência e lanternas, o que faz muitos clientes evitarem o local.
“Se por algum motivo o cliente está passando em frente à loja, ele até entra para comprar, mas é mais em casos de emergência”, diz Tansyn. Sem energia elétrica, os funcionários têm levado as maquininhas de cartão para recarregar em casa, e as notas fiscais só podem ser emitidas após o retorno da energia. Com isso, a empresa estima prejuízo superior a R$ 60 mil.
O que diz a Enel - De acordo com nota divulgada no site da Enel, a energia já foi restabelecida para cerca de 1,8 milhão de clientes, dos 2,2 milhões afetados pelo ciclone extratropical. Para atender situações prioritárias, a companhia diz contar com 700 geradores. Ainda segundo a concessionária, em algumas localidades, o restabelecimento é mais complexo, pois envolve reconstrução de rede, substituição de postes e transformadores e, em alguns casos, a recondução de quilômetros de cabos.
IMAGENS: restaurante Quintal da Casemiro

