Do tradicional ao digital, a estratégia dos negócios com consórcios

"Medido pelo valor dos Ativos Administrados, em valores de dezembro de 2024, o consórcio já representa 6,1% do PIB nacional, sem dúvida um número bastante significativo"

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Do tradicional ao digital, a estratégia dos negócios com consórcios

Ao longo de décadas, o Sistema de Consórcios vem se destacando no cenário financeiro do país, realizando sonhos de milhares de brasileiros e impulsionando os diversos setores da economia.

Criada há mais de sessenta anos, precisamente em 1962, a modalidade no formato de autofinanciamento vem se tornando gradativamente um dos produtos mais procurados pelo consumidor.

Um dos principais fatores dessa evolução está na educação financeira, cuja base é o planejamento das finanças pessoais. Ano após ano, o brasileiro entende que o consumo consciente e responsável, além de trazer vantagens ambientais e sociais, propicia qualidade de vida através de uma vida financeira mais tranquila.

Consumo consciente é a busca do equilíbrio entre ter o que se precisa e ser um consumidor social, ambiental e economicamente sustentável. Consumidor consciente é aquele que age planejando a partir de um orçamento, com equilíbrio entre renda e despesas, e não por impulso. 

Ao incorporar às escolhas de consumo questões como modo de produção, quantidade e qualidade das matérias-primas, tipo e qualidade de mão de obra, produção de resíduos e outros aspectos relevantes para o meio ambiente e para a sociedade, estar-se-á ampliando o conceito de educação financeira.

Crescimento vertical

É possível apontar a pandemia, em 2020, como um importante divisor de águas. A partir daquele período, observou-se um comportamento diferenciado dos que pretendiam adquirir bens ou contratar serviços.

Ao analisar, comparar e avaliar as formas e custos de uma compra parcelada, incluindo o consórcio como alternativa, o consumidor toma consciência de que o imediatismo muitas vezes não é o melhor caminho, e opta pelo mecanismo para executar seu planejamento financeiro.

Tomando por base janeiro de 2022, quando o número de consorciados ativos anotou  8,21 milhões, os totais têm evoluído constantemente e atingiram 12,20 milhões em setembro deste ano. O crescimento nos quarenta e cinco meses foi de 48,6%, considerando todos os segmentos nos quais o consórcio está presente.

Pelas dificuldades enfrentadas naquela ocasião, as administradoras de consórcios, que já vinham implantando novos projetos e agregando avanços tecnológicos, aceleraram suas inovações, permitindo que o ritmo de adesões não sofresse retrações e crescesse.

Com sistemas integrados nas atividades de comercialização de cotas, administração dos grupos, assembleias, contemplações, entre outras, as empresas simplificaram processos, otimizaram operações e proporcionaram maior transparência e segurança para os consumidores.

Paralelamente, a própria Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), entidade nacional representativa do setor, buscou difundir e fomentar ainda mais o consórcio, divulgando orientações por seu site – abac.org.br - e pelo programa de certificação – PCA 10 – com o objetivo de certificar os profissionais que atuam no Sistema de Consórcios e capacitar os interessados em fomentar e ampliar os conhecimentos e a conscientização no mercado sobre a modalidade.

Lançou também publicações como as Cartilhas Digital e “Na Corda Bamba” (sobre Educação Financeira), Guia Consórcios de A a Z na internet, destacando o site exclusivo Saber Financeiro – saberfinanceiro.org.br (focado também em Educação Financeira).

Como complemento, a ABAC marca presença nas redes sociais, blog e na imprensa divulgando notícias, orientações e exemplos de utilização do consórcio como oportunidades de formação e ampliação patrimonial, renda extra, qualidade de vida, seja qual for a atividade.

Com campanhas institucionais, denominadas “Chegou sua vez. Vai de consórcio” e “Para passar de fase, vai de consórcio”, voltadas para o público da faixa etária de 18 a 29 anos, a ABAC demonstra que as escolhas financeiras de hoje, por exemplo o consórcio, podem impactar o futuro desse público-alvo.

Em setembro, ao alcançar a marca de 12,20 milhões de consorciados ativos, um recorde histórico, a partir da venda de 3,83 milhões de cotas em nove meses deste ano, o Sistema de Consórcios movimentou quase R$ 370 bilhões em negócios realizados, registrando alta de aproximadamente 30%, incluindo produtos ou serviços nos setores de Veículos Leves, Motocicletas, Veículos Pesados (máquinas agrícolas, caminhões e outros bens), Imóveis, Serviços e Eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis.

Perspectivas

Medido pelo valor dos Ativos Administrados, em valores de dezembro de 2024 o consórcio já representa 6,1% do PIB nacional, sem dúvida um número bastante significativo.

Como já visto, os indicadores do Sistema de Consórcios têm reafirmado a crescente decisão do consumidor na contratação do mecanismo. Na projeção de encerramento de mais um dos melhores anos da modalidade, a percepção da assessoria econômica da ABAC é de que para o próximo ano a tendência é de manutenção dos níveis de crescimento de vendas de cotas e participantes ativos nos diversos segmentos em que o consórcio atua, sempre levando em conta as peculiaridades de cada um.

Até julho, o ICSC registrava 63,7%, acima dos 50 pontos, e observava duas tendências contraditórias de expectativas. Primeiramente, as respostas sobre a economia brasileira expressavam insegurança e recomendaram cautela baseada no comportamento registrado no segundo trimestre deste ano, apoiadas fortemente pelos indicadores econômicos que mostram preocupação e que puxam o ICSC para baixo. Em contrapartida, relativamente ao Sistema de Consórcios, as administradoras apresentaram, em sua maioria, avaliações bastante positivas, que se refletiram na ligeira alta de 0,3 ponto e manutenção de boas perspectivas para o próximo trimestre. A elevação apresentada no ICSC mostra, da mesma forma que os outros setores, algumas incertezas sobre a economia brasileira em 2025. Porém, relativamente ao consórcio, a percepção é de crescimento para este ano.

 

O ICSC – Índice de Confiança do Setor de Consórcios, calculado trimestralmente a partir das percepções dos principais executivos das administradoras associadas à ABAC, nunca ficou abaixo dos 60 pontos, o que indica otimismo dos executivos em relação ao Sistema e às administradoras onde atuam. Vale lembrar que, de acordo com a sua metodologia de cálculo, qualquer resultado acima dos 50 pontos indica otimismo. Aliás, o ICSC só não é maior porque, nas perguntas relativas à economia do país, que compõem o seu cálculo, as respostas ainda são cautelosas.

Setor por setor

Ao analisar cada um dos seis setores nos quais o Sistema de Consórcios está presente, notou-se forte crescimento em Imóveis. No comparativo entre as adesões ocorridas nos nove primeiros meses deste ano versus o mesmo período de 2024, houve aumento de 32,4% atingindo pouco mais de 970 mil cotas. O volume de negócios decorrentes avançou 44,7%, somando R$ 203 bilhões, a partir de um tíquete médio do mês de R$ 213,46 mil.

Paralelamente, ainda de janeiro a setembro, o setor de automotores, constituído de Veículos Leves, Motocicletas e Veículos Pesados, apresentou alta de 7,2% nas vendas de cotas com pouco mais de R$ 161 bilhões em créditos comercializados.

Em Veículos Leves, maior segmento em participantes com 5,18 milhões de consorciados ativos, houve acumulado de 1,44 milhão de vendas de cotas, registrando evolução de 9,1% com decorrentes R$ 99,89 bilhões em negócios realizados.

No setor das duas rodas, o comportamento também foi positivo. Com pouco mais de um milhão de adesões, anotou 1,09 milhão de vendas, um progresso de 9,6%, equivalendo a R$ 23 bilhões em negócios, crescendo 19,8%.

Entre os Veículos Pesados, atualmente formado por máquinas agrícolas (51%), caminhões (41%) e outros bens como implementos, aeronaves, embarcações, ônibus (8%), a performance apontou retração de 16,9% nas adesões, todavia com aumento de 15,2% no volume de comercializações, em virtude da alta de 46,9% do tíquete médio que atingiu R$ 257,19 mil em setembro.

Nos dois últimos setores, Serviços e Eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, os indicadores assinalaram resultados positivos em vendas de cotas e negócios realizados nos nove primeiros meses de 2025 versus 2024.

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IMAGEM: Freepik

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