Edifício Tebas vai unir gastronomia, arte e cultura no centro de SP

Localizado no Largo da Misericórdia, o edifício contará com o restaurante Preto Cozinha, espaços artísticos e deve ficar pronto em 2027

Rebeca Ribeiro
24/Out/2025
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Edifício Tebas vai unir gastronomia, arte e cultura no centro de SP

Em um dos pontos mais icônicos de São Paulo, no Largo da Misericórdia, o edifício Tebas passará por um processo de retrofit, com conclusão prevista para 2027. A restauração, idealizada pela incorporadora Somauma, prevê a entrega de 43 unidades residenciais, sendo uma destinada à habitação popular, além de um espaço gastronômico que abrigará o restaurante Preto Cozinha, do chef Rodrigo Freire, e áreas dedicadas a eventos e à arte.

O edifício projetado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo & Villares em 1977 foi o último prédio a ser construído na região. Com o abandono do Centro Histórico pelo poder público em diversas gestões, o prédio de uso comercial foi subutilizado e adquiriu um ar de abandono. Agora, com um novo nome, o antigo Edifício Misericórdia busca levar mais vida à região do Triângulo Histórico, especialmente à noite.

O nome Tebas é uma homenagem ao ex-escravo João Pinto de Oliveira, conhecido como Tebas, que construiu em 1791 o Chafariz da Misericórdia, primeiro sistema público de abastecimento de água. Com a criação do chafariz, o Largo da Misericórdia passou a ser um encontro de afro-brasileiros escravizados e livres e um símbolo de união dessa comunidade.

Apesar da sua contribuição em diversos projetos na cidade de São Paulo, como a igreja da Misericórdia, Tebas só teve seu reconhecimento como arquiteto em 2018.

O projeto, com arquitetura assinada pelo escritório MM18, marca a entrada da Somauma no Centro Histórico, que até então havia atuado apenas em projetos no centro expandido, como o edifício Virgínia. Segundo Marcelo Falcão, sócio-fundador da Somauma, apesar de ser pequeno pelo seu tamanho, o edifício é uma oportunidade de testar e entender a demanda de moradia na região.

Além da sua história emblemática, sua localização ao lado da Casa de Francisca e perto das estações de metrô Sé e São Bento foram pontos cruciais para a escolha do edifício. 

O Centro Histórico de São Paulo ainda abriga muitos prédios vazios, segundo Falcão, que enxerga a habitação como elemento fundamental para a reocupação da região. Para ele, trata-se de uma área com ampla oferta de serviços públicos, transporte e cultura, o que a torna essencial para a visitação e o convívio da população.

O prédio conta com nove pavimentos, sendo seis apartamentos por andar, de 33 a 42 metros quadrados, e uma casa suspensa na cobertura de 27 metros quadrados. A condição possibilita ao futuro morador uma ampla vista para o Centro da cidade, conseguindo localizar a Catedral da Sé, a Rua Direita e até mesmo o Farol Santander. Das 43 unidades, 18 já foram vendidas para públicos diversos, como casais e pessoas que precisam viajar com frequência.

Uma transformação importante ocorrerá na casa suspensa, que antigamente servia como residência do zelador e era cercada por altos muros, construídos para ocultá-la. Com a reforma, o espaço passará por um novo projeto de paisagismo, com mais vegetação, a instalação de uma ampla porta de vidro e a redução do muro, permitindo ao morador apreciar a vista da região.

Já os primeiros dois andares do edifício, chamados de calçada suspensa, serão destinados ao restaurante Preto Cozinha, que terá um cardápio diversificado, trazendo elementos da comida nordestina para valorizar a gastronomia caseira e criar uma experiência de almoço mais familiar aos visitantes. O restaurante, aberto ao público em geral, também possibilita uma ampla vista da região, sendo um lugar para as pessoas almoçarem e depois passearem pelo Centro. Além da área gastronômica, o local terá um auditório com capacidade para cerca de 100 pessoas que pode ser reservado para eventos. 

 

Obra em frente à fachada do Tebas de autoria do Coletivo Coletores e MUDA.KO Studio

 

Na parte externa, o prédio contará com um mural artístico criado pelo Coletivo Coletores e pelo MUDA.KO Studio, que trará à tona a memória de Tebas para eternizar sua história. Além do mural externo, todos os andares terão obras artísticas, inclusive alguns apartamentos, que receberão peças do Coletivo.

Outro diferencial do projeto, comparado com outros retrofits da Somauma, é que os apartamentos serão entregues totalmente prontos, dispensando que o morador ainda tenha trabalho com marmoraria e pisos.

Falcão explica que o projeto demonstra que há um forte interesse das pessoas em morar no Centro Histórico, mas que ainda falta iniciativa do setor privado em investir na requalificação da região.

“É o primeiro prédio com potencial de transformação de olho na habitação da região”, diz. Além da identificação de demanda por habitação, Falcão explica que houve uma pesquisa qualitativa que entendeu que as pessoas da região demandam por espaços de lazer, como um serviço que funcione o dia inteiro, por exemplo.

Apesar do aumento de projetos de retrofits em São Paulo, com forte apoio do governo estadual e federal, Falcão menciona que adquirir crédito ainda é um forte desafio para executar esses projetos devido à alta burocracia.


IMAGEM: Divulgação

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