G-Zero domina a COP 30

“Todos os países são culpados. Guerra, poluição, doença, miséria e corrupção são as principais dores e temores das nações. Sem princípios, a humanidade fracassa e nações, por não terem atitude, distraem o povo com frases e leis que não cumprem”

Paulo Delgado
21/Nov/2025
Sociólogo; foi Deputado Constituinte em 1988
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G-Zero domina a COP 30

Foi a ECO 92 do Rio de Janeiro que remeteu para Berlim assinar, em 1995, a primeira declaração das Nações Unidas sobre o clima. Depois, na Conferência de Kyoto (COP03), em 1997, a terra e o clima ainda eram o tema. Em Belém, o assunto foi só política, com a “Cúpula da Terra” acusada de capitalista pelo anticapitalismo da “Cúpula dos Povos”.

Ninguém vai conseguir inventariar os maus resultados das reuniões sobre clima da ONU se não entender as deformações, incoerências e insuficiências dos estados membros. Hoje, todos os países dependem de grandes poluidores. Observe o quadro produzido por uma ONU fraca: passeatas dos sem crachá, autoridades anfíbias que querem ficar bem dos dois lados da questão, empresários independentes desprestigiados, povos manipulados por discursos. Não há nenhuma outra simpatia humana mais elevada do que a sinceridade. É o que menos se vê nas Conferências atuais da ONU.   

Há anos que as agruras da Organização das Nações Unidas (ONU) vêm sendo expostas em praça pública ao redor do mundo. Nestes 80 anos de idade - desde o final da Segunda Guerra Mundial -, a ONU está cada vez mais desorganizada, desunida e fraca.

Nem a Covid ensinou nada à ONU, que ainda insiste em passar mais tempo em gigantescas e caríssimas reuniões presenciais para impressionar e parecer dedicada. Visibilidade sem produtividade - como as de Dubai (28), Azerbaijão (29) e Belém (30) - acirra a pressão dos não convidados para participar ou, pelo menos, também, serem vistos. Quem não se sente representado pelo foco oficial escolhido boicota de alguma forma e escancara a inadequada engrenagem que é imaginar algum consenso em um mundo de cabeça para baixo como o de hoje.

São convincentes as hipóteses de que o descaso para com a ONU tem a ver com o fato de que somente aqueles com idades próximas ou superiores a noventa anos guardam na memória o que é uma guerra mundial. Enfim, os mais poderosos dos nascidos a partir de 1946 nunca reformaram a ONU. Mas o crachá estatal, e sua formidável ambição, tomou conta da entidade.

O fato é que o órgão central da ONU deixou de ser usado para consultas consequentes e, hoje, é simplesmente desprezado. A OMC também já não funciona e o FMI e o Banco Mundial são sombra do que já foram.  E, no clima, não tem G-7, G-20 ou BRICS, quem manda é o G-Zero.

Todos os países são culpados. Guerra, poluição, doença, miséria e corrupção são as principais dores e temores das nações. Sem princípios, a humanidade fracassa e nações, por não terem atitude, distraem o povo com frases e leis que não cumprem.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**

 

IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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