Inovar: o que significa e por que importa para o Brasil de 2025?

“Transformar processos, cultura e modelos de negócio tornou-se fundamental para que empresas brasileiras avancem em produtividade, competitividade e geração de valor”

Tito Hollanda Barroso
29/Dez/2025
Mestre em Administração pela Darden Business School da Universidade da Virginia, coordenador do Pateo76 e do Conselho de Inovação da ACSP
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Inovar: o que significa e por que importa para o Brasil de 2025?

Inovação: mais do que novidade, transformação - “Inovar” nunca significou apenas criar algo inédito. É transformar - processos, serviços, cultura, produtos e modelos de negócio. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) define inovação como a introdução de um produto, processo ou método significativamente aprimorado, capaz de gerar valor. Esse valor pode ser econômico, social ou ambiental, mas sempre está associado à capacidade de resolver problemas reais.

Hoje, inovar determina a competitividade: segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), empresas inovadoras têm 67% mais chance de ampliar participação de mercado e 54% mais probabilidade de exportar (2024). Não é coincidência que países que sustentam ciclos de produtividade sejam justamente os que investem de forma contínua em ciência e tecnologia.

Um retrato do Brasil em 2025 - A nova PINTEC/IBGE mostrou queda na taxa de inovação entre empresas com mais de 100 funcionários: de 70,5% (2021) para 64,6% em 2023. Apenas 34% investem de forma contínua em pesquisa e desenvolvimento (P&D), percentual inferior ao de economias avançadas.

Mesmo assim, há sinais positivos: o país viu crescer a presença de hubs tecnológicos, programas de aceleração, parcerias universidade-empresa e iniciativas governamentais de estímulo. Inteligência artificial, automação e análise de dados chegaram também aos pequenos negócios, impulsionando produtividade em setores antes estagnados.

Cultura inovadora como vantagem competitiva - Inovar não é evento isolado, é cultura. Envolve assumir riscos, testar modelos, aprender com erros e manter ciclos constantes de aprimoramento. Empresas que desenvolvem essa mentalidade tornam-se mais ágeis, eficientes e preparadas para mudanças repentinas. Conquistam margens mais robustas, atraem talentos, ampliam fidelização e se adaptam a novas demandas de mercado.

Por outro lado, organizações que não inovam acabam presas à competição por preço, elevam vulnerabilidade a rupturas tecnológicas e reduzem capacidade de crescimento.
Em 2025, inovar deixou de ser diferencial competitivo. Tornou-se requisito básico de sobrevivência em um ambiente marcado por velocidade, digitalização e novos padrões de consumo.

O futuro que o Brasil precisa construir - Para avançar, o país necessita ampliar investimentos privados e públicos em P&D, aproximar empresas e universidades, estimular difusão tecnológica e reduzir barreiras estruturais - burocracia, crédito caro e desigualdades regionais.

O Brasil possui talento, criatividade e potencial de mercado. Transformar esses ativos em produtividade será decisivo para consolidar um modelo de desenvolvimento baseado em conhecimento. Inovação não é destino, é escolha.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**

 

IMAGEM: Freepik

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