O agro vem forte em 2026

"Mesmo com o recuo em boa parte do 'Tarifaço Trump', a geopolítica será cada vez mais um ponto-chave no comércio mundial"

Cesario Ramalho
19/Dez/2025
Produtor rural, coordenador do Conselho do Agro da ACSP e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira
  • btn-whatsapp
O agro vem forte em 2026

As duas últimas reuniões do Conselho do Agronegócio da ACSP em 2025 trouxeram indicativos importantes para o agro em 2026. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, e o ex-deputado federal Xico Graziano trataram de temas cruciais para o setor. Ambos os encontros propuseram debates sobre os desafios e oportunidades para o próximo ano.

Ao tratar de crédito e seguro, Campos reafirmou que o Plano Safra, que traz condições especiais de financiamento, será cada vez mais direcionado ao produtor de pequeno porte, ao agricultor familiar. Esta, aliás, é uma agenda estrutural que já vem sendo desenvolvida há algumas temporadas. O agro cresce ano a ano, e a demanda por recursos também, fazendo com que o apoio governamental não mais atenda à necessidade de financiamento.

Estima-se que sejam necessários cerca de R$ 1 trilhão para financiar um ano-agrícola, e o Plano Safra atinge, com esforço, um terço desta cifra. O médio produtor terá que cada vez mais recorrer ao mercado privado – movimento que o grande já vem fazendo há um tempo. Ponto negativo nesta transformação é, claro, a taxa de juros alta. De positivo é a expansão de fontes privadas de crédito e avanços no acesso a estas modalidades.

Por outro lado, no que diz respeito ao seguro rural – outro assunto abordado por Campos -, o subsídio é imprescindível. Sem este suporte, o produtor não consegue proteger sua safra dos mais variados riscos [climáticos, pragas, preços etc.], o que, em caso de sinistro, vem a comprometer de forma significativa sua renda. Como destacamos em nosso artigo do mês passado, a subvenção governamental ao prêmio – valor que é pago pela apólice – é prática em diversas agriculturas [Estados Unidos, União Europeia], e o Brasil, como também um gigante do agro, não pode prescindir deste mecanismo.

Xico, por sua vez, falou do lançamento de seu novo livro, “O Caipira e o Príncipe”, no qual revela bastidores da política, a convivência com FHC e a crise de valores da democracia. Em particular sobre o agro, ele reafirmou a força do setor, mas fez alertas com relação ao cenário global.

Mesmo com o recuo em boa parte do “Tarifaço Trump”, a geopolítica será cada vez mais um ponto-chave no comércio mundial, o que inclui, obviamente, o agrícola, e isso eleva a imprevisibilidade das negociações ao diminuir os fundamentos de mercado – custos, preços, oferta e demanda – como fatores de tomada de decisão. Setor produtivo e diplomacia terão que atuar de forma ativa, complementar e integrada, a fim de lidar com esta nova ordem.

A produção de grãos [soja e milho] 2025/26, que está na reta final de plantio do ciclo verão, promete novo recorde, por volta de 350 milhões de toneladas. Contudo, é sempre bom recordarmos que incluindo as cerca de 600 milhões de toneladas da cana e mais um amplo conjunto de outros produtos, café, algodão, trigo, hortifrútis, e assim por diante, a safra brasileira já supera há tempos mais de um bilhão de toneladas. Para o produtor, o recado do momento é prudência, com grande foco na gestão financeira do negócio. 2026 também é ano de eleições gerais, mas isso é assunto para nossos artigos a partir de janeiro.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**

 

IMAGEM: Rodolfo Buhrer

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Vídeos Resumo Semanal

Como engajar sua marca no Carnaval e outros destaques do Diário do Comércio

Como engajar sua marca no Carnaval e outros destaques do Diário do Comércio

Center Norte retoma o fluxo pré-pandemia e outros destaques do Diário do Comércio

Eleições 2026, reforma tributária e outros destaques do Diário do Comércio

Carga Pesada

Colunistas