O novo Centro Velho

“Observa-se uma articulação sólida entre poder público e iniciativa privada para devolver à região sua força econômica e simbólica”

Alessandra Andrade
11/Nov/2025
Presidente da SP Negócios
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O novo Centro Velho

O Centro de São Paulo, por muito tempo, foi para mim aquela piscina funda na qual só se molha o pé. Convivo com essa região desde os 18 anos, quando comecei a trabalhar na Associação Comercial de São Paulo, na Rua Boa Vista, endereço conhecido pelo Impostômetro. Naquele tempo, meu Centro se resumia a poucas quadras, como o Pateo do Colégio, a XV de Novembro e os cafés e restaurantes que guardo na memória daqueles anos.

Com o tempo e, depois, com a pandemia, o cenário mudou. Ver o Pateo tomado por moradores de rua me fez limitar as idas à entidade e quase abandonar as calçadas. E, quando a gente se afasta, fica fácil acreditar no que dizem. Assim, passei a aceitar a ideia de que o Centro Velho havia se tornado inóspito, um símbolo de decadência urbana que parecia irreversível.

Mas, vir trabalhar na SP Negócios, no Viaduto do Chá, transformou essa percepção. Mergulhei de vez nesse território e redescobri um Centro vibrante, bonito e possível. Da janela, vejo o Teatro Municipal; nas ruas, caminho com tranquilidade e me surpreendo com a vitalidade que volta a pulsar. Pela primeira vez em muito tempo, São Paulo abandona o discurso nostálgico e adota uma postura concreta: a de agir.

Hoje, observa-se uma articulação sólida entre poder público e iniciativa privada para devolver à região sua força econômica e simbólica. Projetos estruturantes, como o Veículo Leve sobre Trilhos Centro e a PPP do Parque Dom Pedro II, mostram uma cidade disposta a enfrentar seus desafios.

Essa transformação apoia-se em instrumentos modernos, como o Requalifica Centro e o Plano de Intervenção Urbana, que simplificam regras e atraem investimentos. Em 2024, o comércio local movimentou R$ 141 bilhões, o número de empresas cresceu e a criminalidade caiu. No primeiro trimestre de 2025, 50.094 empresas foram abertas e outras 5.420 mudaram-se para cá. Entre 2021 e março deste ano, são 754.071 novas empresas e 79.706 que decidiram transferir-se para São Paulo, sem contar as MEIs. Somente os negócios imigrantes no período geraram R$ 2,8 bilhões em arrecadação.

São Paulo é uma cidade que não perde negócios. E o renascimento do Centro é o exemplo de que requalificar espaços públicos, com planejamento de longo prazo e integração entre poder público e iniciativa privada, é investir no futuro da cidade.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

IMAGEM: Luiz Prado/DC

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