Planejamento: o Brasil precisa de dados para empreender melhor

"O Brasil dispõe de milhões de dados sobre mercado, consumo, renda, tributação, demografia e comportamento do cliente. No entanto, esses dados estão pulverizados em diferentes fontes: IBGE, Receita Federal, portais estaduais e pesquisas privadas"

Marcio Shimomoto
05/Nov/2025
Presidente da Jucesp
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Planejamento: o Brasil precisa de dados para empreender melhor

O Brasil é um país que respira empreendedorismo. Entre janeiro e junho de 2025, foram abertas 2,6 milhões de novas empresas, o maior número já registrado para um primeiro semestre. Esse crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2024 reforça a vocação empreendedora nacional. Em março de 2025, o país superou a marca de 64 milhões de CNPJs ativos, incluindo matrizes, filiais e microempreendedores individuais.

Apesar desse dinamismo, os desafios persistem. Segundo o IBGE, apenas 37,3% das empresas sobrevivem após cinco anos, e cerca de 20% encerram suas atividades no primeiro ano. Essa alta taxa de mortalidade não decorre da falta de esforço, mas da ausência de planejamento orientado por dados. Empreender apenas com base no instinto - confiando no “depois a gente vê” - eleva o risco e compromete a sustentabilidade do negócio.

O Brasil dispõe de milhões de dados sobre mercado, consumo, renda, tributação, demografia e comportamento do cliente. No entanto, esses dados estão pulverizados em diferentes fontes: IBGE, Receita Federal, portais estaduais e pesquisas privadas. Muitas vezes, são de difícil acesso, exigem leitura técnica ou estão em planilhas complexas. Isso significa que quem deseja abrir um restaurante, uma loja de roupas ou um salão de beleza não encontra, em um só lugar, informações básicas como:

· Quantas empresas semelhantes já existem no bairro

· Qual é a renda média da população local

· Quanto os clientes estão dispostos a pagar

Enquanto outros países contam com políticas públicas estruturadas para apoiar o pequeno negócio, o Brasil ainda carece de uma política nacional integrada que simplifique o acesso a dados, ofereça orientações claras e acompanhe o empreendedor desde a abertura até a consolidação da empresa.

É urgente:

· Unificar bases de dados públicas em plataformas acessíveis e intuitivas

· Incluir educação para análise de dados nos programas de formação empreendedora

· Estimular soluções tecnológicas nacionais que transformem grandes volumes de informação em orientação prática

· Tornar o planejamento uma etapa obrigatória na jornada empreendedora

Além disso, é preciso repensar um traço cultural recorrente: o “vai na fé” ou “a gente resolve depois” não pode ser regra. Planejar não é complicar - é prevenir. A diferença entre contar com a sorte e construir um negócio com reais chances de sucesso está no uso consciente de dados e na preparação estratégica.

Empreender, o brasileiro já sabe. O que falta é planejar com base em fatos, não em improviso. Só assim deixaremos de criar negócios que nascem fortes, mas morrem cedo.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**

 

IMAGEM: Freepik

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