Tratabem aposta na qualificação para driblar falta de profissionais no mercado
A franquia pertencente à iGUi Piscinas tem cerca de 140 lojas espalhadas pelo Brasil e pretende crescer 20% em 2025

Você conhece algum piscineiro para indicar? Essa é uma das perguntas mais ouvidas pelos funcionários da iGUi, rede especializada em piscinas pré-fabricadas. E não vem apenas de quem está comprando uma nova. Muitos dos clientes que ligam para a empresa relatam a mesma dificuldade: encontrar profissionais qualificados para cuidar da limpeza e manutenção de suas piscinas.
De olho nessa demanda, a iGUi criou, em 2012, a Tratabem, franquia de baixo investimento especializada em serviços de limpeza, manutenção, assistência técnica e tratamento de água. Com cerca de 140 lojas franqueadas espalhadas pelo Brasil, a marca tem expectativa de crescer 20% em 2025 e já abriu 30 unidades este ano.
Em um momento em que o varejo sofre com a falta de mão de obra, a franquia é uma oportunidade para aqueles empreendedores que desejam iniciar um negócio, mas temem não encontrar profissionais qualificados para atender à demanda. De acordo com Lilian Marques, diretora de expansão da Tratabem, a franquia profissionaliza pessoas que não têm experiência com piscina. "Mais de 80% dos franqueados não têm nenhuma experiência na área, mas depois que os profissionalizamos, acabam capacitando também seus próprios funcionários”, diz.
Ao adquirir uma franquia da Tratabem, o franqueado passa por um treinamento que conta com aulas teóricas e práticas, tendo uma semana de aula prática tratando piscinas da própria iGUi, bem como de outras marcas, como uma forma de abranger outros clientes. Além disso, o treinamento possui aulas de gestão, auxiliando esse empresário a administrar seu negócio.
“A Tratabem veio de uma demanda interna da marca, mas também de uma demanda do próprio mercado. A iGUi tem 30 anos e há 13 anos lançamos a Tratabem porque o mercado de piscineiros era escasso e informal, formado por pessoas que, muitas vezes, ficaram desempregadas e entraram na área.”
Ao iniciar a franquia, são necessários apenas dois funcionários: um para realizar os serviços na piscina e outro para atender aos clientes nas redes sociais ou pelo telefone. Dessa forma, o franqueado não fica refém de encontrar um funcionário, uma vez que ele mesmo executa o serviço. Além da manutenção, a franquia também trabalha com a venda de produtos para piscina, como uma forma de aumentar a margem de lucro para os franqueados.
Por ser uma mão de obra escassa, a captação de clientes acontece de maneira orgânica, segundo Lilian, com muitos indo às lojas da iGUi para pedir indicações de piscineiros, além de uma captação via equipe de atendimento, que transfere a demanda para os franqueados da Tratabem. “Se uma loja da iGUi vende uma piscina e tem uma unidade da Tratabem próxima, é possível transferir o cliente. Então, esse cliente vem do nosso grupo de atendimento, indicação de lojas e da própria comunidade do franqueado”, diz Lilian.
Apesar de o modelo de franquia permitir que o próprio franqueado realize os serviços, Lilian explica que o franqueado não necessariamente precisa ser piscineiro. Dependendo do seu perfil, ele pode se manter apenas como gestor da franquia.
O faturamento médio mensal da franquia Tratabem é de R$ 40 mil, com prazo de retorno do investimento de 12 a 18 meses.
Mão de obra
Neste ano, o varejo e alguns setores de serviço passaram a lidar com a falta de mão de obra. Apesar da escassez de mão de obra qualificada sempre ter sido uma realidade no setor, que frequentemente lida com dificuldades para atrair talentos devido à jornada de trabalho e salários, esse cenário se intensificou com a nova geração, conforme explica Patrícia Cotti, professora da FIA Business School.
“Os formatos de trabalhos mais flexíveis em razão das próprias redes sociais, influencers, etc., têm moldado o comportamento dessa primeira entrada no mercado de trabalho, causando ainda mais dificuldade para atrair mão de obra”, diz.
Esse cenário não é diferente no setor de serviços, segundo Patrícia, que menciona que os trabalhos base estão cada vez menos valorizados, obrigando os trabalhadores a procurar empregos em outros setores, como na indústria, startup e mídias sociais.
Pensando nisso, Patrícia explica que negócios como os da Tratabem têm sido cada vez mais comuns, tendo em vista que o setor de serviços é um dos que mais crescem no franchising, uma vez que a ideia de ser empreendedor, e não apenas uma mão de obra, é parte da realidade dos brasileiros que buscam mais autonomia.
Além disso, Patrícia explica que muitas empresas precisam repensar a forma de captar novos talentos, assim como os formatos de contratação, visando flexibilidade e modo de vida desses funcionários.
IMAGEM: divulgação

